Notícias da Igreja

 
15
Mai
Papa aos universitários: sejam artesãos de paz, o rearmamento enriquece as elites
Papa aos universitários: sejam artesãos de paz, o rearmamento enriquece as elites

O Papa Leão pronunciou um discurso eloquente diante do corpo docente e discente na Aula Magna da Universidade Sapienza de Roma. Trata-se da primeira visita do Pontífice a esta renomada instituição, uma das mais prestigiosas e antigas da Europa, com 723 anos de fundação.


 


Ao chegar, o Santo Padre rezou na Capela Universitária “Divina Sapienza”. Na sequência, saudou um grupo de estudantes. No prédio do Reitorado, manteve um colóquio privado com a Magnífica Reitora, Antonella Polimeni, e assinou o Livro de Honra. Houve também a inauguração de uma placa de recordação da visita, a saudação aos membros do Senado Acadêmico e aos funcionários da Universidade. Ainda houve tempo para conhecer a mostra “La Sapienza e os Papas”.


 


Somos um desejo, não um algoritmo!


 


Já na Aula Magna, Leão XIV falou desta Universidade como um polo de excelência em diversas disciplinas e enalteceu seu empenho em favor do direito ao estudo e maniestou seu apreço pelo acordo assinado entre o instituto e a Diocese de Roma, para a abertura de um "corredor humanitário universitário" com a Faixa de Gaza. E a primeira mensagem do Pontífice foi dirigida aos estudantes.


 


"Imagino-os, às vezes, despreocupados, felizes com a própria juventude que, mesmo em um mundo conturbado e marcado por terríveis injustiças, lhes permite sentir que o futuro ainda está por escrever e que ninguém pode roubá-lo de vocês."


 


Jovens, disse o Papa, como Santo Agostinho, irrequietos, como demonstram as centenas de perguntas que os estudantes dirigiram ao ele. Esta inquietude, todavia, esconde também um lado triste. Muitos sofrem com a pressão das expectativas e a exigência de desempenho, exacerbando a competitividade. "É justamente esse mal-estar espiritual de muitos jovens que nos lembra que não somos a soma do que possuímos nem uma matéria aleatoriamente agrupada de um cosmos mudo. Somos um desejo, não um algoritmo!"


 


Sim à vida dos povos que clamam por paz e justiça!


 


E justamente essa dignidade conduz a duas perguntas, uma de caráter existencial - "Quem sou?" - e outra mais relacional - "Que mundo estamos deixando?". Sobre esta segunda questão, o Pontífice se deteve de maneira mais contudente, para responder que, infelizmente, se trata de mundo deformado pelas guerras e pelas palavras de guerra.


 


"Trata-se de uma contaminação da razão, que, a partir do plano geopolítico, invade todas as relações sociais", explicou o Santo Padre. A simplificação que cria inimigos deve, portanto, ser corrigida. O grito “nunca mais a guerra!” dos antecessores deve se aliar com o senso de justiça que habita o coração dos jovens, com a sua vocação de não se fecharem entre ideologias e fronteiras nacionais. Ao falar da ecologia e do aumento com os gastos militares, Leão XIV entrou no coração do seu discurso:


 


“Não se pode chamar de “defesa” um rearmamento que aumenta as tensões e a insegurança, empobrece os investimentos em educação e saúde, desmente a confiança na diplomacia e enriquece elites que nada se importam com o bem comum. É preciso, além disso, vigiar o desenvolvimento e a aplicação da inteligência artificial nos âmbitos militar e civil, para que ela não retire a responsabilidade das escolhas humanas e não agrave a tragédia dos conflitos. O que está acontecendo na Ucrânia, em Gaza e nos territórios palestinos, no Líbano e no Irã ilustra a evolução desumana da relação entre a guerra e as novas tecnologias numa espiral de aniquilação. O estudo, a pesquisa e os investimentos devem seguir na direção oposta: que sejam um «sim» radical à vida! Sim à vida inocente, sim à vida jovem, sim à vida dos povos que clamam por paz e justiça!”


 


Eis então a exortação do Papa aos jovens: não ceder à resignação, transformando a inquietação em profecia; estudar, cultivar e zelar pela justiça; ser artesãos da verdadeira paz, usando a própria inteligência e coragem.


 


A arte de ensinar


 


Já os professores ouviram de Leão XIV palavras exaltantes ao comparar o ensino a uma forma de caridade: é como "socorrer um migrante no mar, um pobre na rua, uma consciência desesperada".


 


"Trata-se de amar sempre e em todas as circunstâncias a vida humana, de valorizar suas possibilidades, de modo a falar ao coração dos jovens, sem se concentrar apenas em seus conhecimentos. Ensinar torna-se, então, testemunhar valores com a vida: é cuidado com a realidade, é senso de acolhimento para com o que ainda não se compreende, é dizer a verdade." O conhecimento, acrescentou o Papa, não serve apenas para alcançar objetivos profissionais, mas para discernir quem se é. O Pontífice então concluiu:


 


"A minha visita pretende ser um sinal de uma nova aliança educativa entre a Igreja que está em Roma e essa prestigiosa Universidade, que nasceu e cresceu precisamente no seio da Igreja. Asseguro a todos vocês que os terei presentes em minhas orações e, de todo o coração, invoco sobre toda a comunidade da Sapienza a bênção do Senhor. Obrigado!" 


 


Vamos construir um mundo novo!


 


Já do lado de fora da Universidade, antes de regressar ao Vaticano, Leão XIV fez um último convite aos jovens: "Vamos colaborar juntos, pois todos nós somos construtores da paz no mundo; vamos trabalhar, estudar e fazer tudo o que for possível — desde as relações entre amigos, nossas palavras e nossa maneira de pensar — para construir a paz no mundo. Tenham sempre esperança na possibilidade de construir um mundo novo!".


 


Fonte: Vatican News


Fotógrafo: Reprodução de imagem Vatican News


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